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		<title>luciasauer.blog</title>
		<link>http://luciasauer.blog.terra.com.br</link>
		<description>cronicas da jornalista Lucia Sauerbronnn. Relatos divertidos do quotidiano.</description>
		<language>pt-BR</language>
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			<title>OBA!</title>
			<description>Oba! Lucia Sauerbronn Com a crise rondando o travesseiro, minhas noites t&#234;m sido tumultuadas. Tento dormir, mas as not&#237;cias do jornal da noite continuam ribombando na minha cabe&#231;a. Essa hist&#243;ria de colapso financeiro mundial ainda vai acabar comigo. Levanto feito zumbi e vou conferir os jornais &#224; procura de boas novas. Fico gelada ao ler as manchetes. Depois que os Estados Unidos dormiram bilion&#225;rios e acordaram miser&#225;veis, tudo pode acontecer. Profetas do fim do mundo, os economistas fazem previs&#245;es sinistras: em 2009, a China vai crescer s&#243; 9% e a &#205;ndia apenas 7%! A venda de bolsas Chanel pode cair pela metade. Prevendo queda na produ&#231;&#227;o, a Ferrari deve demitir funcion&#225;rios. Mas n&#227;o s&#227;o s&#243; os franceses e italianos que est&#227;o desesperados. Os ingleses compraram a&#231;&#245;es dos bancos americanos e faliram junto com eles. A crise est&#225; t&#227;o brava que dizem que a rainha anda pensando em penhorar a coroa de diamantes. E os Estados Unidos, ent&#227;o, coitados! O corte de despesas ser&#225; t&#227;o dr&#225;stico que eles v&#227;o ser obrigados a acabar com a guerra do Iraque. Al&#233;m de sofrer com a queda dos impostos da ind&#250;stria de armamentos, milhares de jovens soldados v&#227;o perder o emprego. O pior &#233; n&#243;s, que n&#227;o temos nada a ver com o mercado imobili&#225;rio americano, j&#225; sentimos a crise respingar na nossa cabe&#231;a. Se tem tempestade no Primeiro Mundo, o Terceiro afunda na lama. Nem bem o Brasil descobriu o pr&#233;-sal, o pre&#231;o do petr&#243;leo foi para as cucuias, junto com nosso sonho de virar magnatas. Pobres americanos! Desde a queda da bolsa de 1929 eles n&#227;o sabem o que &#233; crise financeira. N&#243;s, n&#227;o. Tivemos que aprender a sambar miudinho para acompanhar o ritmo da infla&#231;&#227;o brasileira. A coisa come&#231;ou a ficar feia com a constru&#231;&#227;o de Bras&#237;lia, na d&#233;cada de 50. Depois, vieram obras fara&#244;nicas, como a Transamaz&#244;nica, pontes, escolas, hospitais, tudo feito com empr&#233;stimo estrangeiro. Quando apresentaram a conta, a d&#237;vida externa era coisa de doido e, por causa dela, teve ano em que a infla&#231;&#227;o bateu os 1.000%. Para brecar a infla&#231;&#227;o, de 1986 a 1995 o Brasil amargou sete planos econ&#244;micos: cruzado, cruzado II, Bresser, plano ver&#227;o, plano Collor, Collor II... Era tanto plano que faltava at&#233; criatividade para dar nome &#224;s moedas, que viviam perdendo tr&#234;s zeros: cruzeiro, cruzeiro novo, cruzeiro (de novo), cruzado, cruzado novo, cruzeiro (parecia nome de filme: cruzeiro, o retorno), cruzeiro real, at&#233; chegarmos de volta ao come&#231;o: nossa primeira moeda, na &#233;poca do Brasil col&#244;nia, se chamava real. Era um tal de congela/descongela pre&#231;os e sal&#225;rios: uma hora sobrava dinheiro e faltava o que comprar, noutra, sobrava produto e faltava dinheiro. O Plano Collor confiscou nossa poupan&#231;a e todo brasileiro passou o m&#234;s com 50 cruzeiros. Nosso vocabul&#225;rio era feito de palavras como super&#225;vit prim&#225;rio, indexa&#231;&#227;o, ajuste fiscal, flutua&#231;&#227;o do d&#243;lar, &#226;ncora cambial. Aprendemos a fazer de cabe&#231;a contas complicadas, quando 2.750 cruzeiros reais passaram a valer 1 real, que dava para comprar um d&#243;lar... E n&#227;o &#233; que dava certo? Agora que n&#243;s, aqui do lado de baixo do Equador, come&#231;amos a aproveitar o bem-bom da estabilidade financeira, me aparecem esses gringos para acabar com nosso sossego. Chegam anunciando colapso da economia, derrocada financeira, anos negros, que o mundo faliu. Algu&#233;m se preocupou quando n&#243;s &#233; que est&#225;vamos falidos? Eles que s&#227;o ricos que se entendam. Sabemos tudo sobre crise. Somos professores de crise. Podemos dar aulas aos economistas do apocalipse. Quer saber? Nada pode ser pior do que tudo o brasileiro j&#225; passou. E tem mais: essas not&#237;cias est&#227;o me dando um stress danado. Ligo a TV num programa rural. Fico sabendo que o caf&#233; valorizou 8,25%, o Brasil vai produzir 200 mil sacas de soja resistente &#224; ferrugem, a agricultura aposta em produtos org&#226;nicos, os peixes criados em cativeiro v&#227;o se alimentar de microalgas naturais ricas em &#244;megas 3 e 6, que animais silvestres em extin&#231;&#227;o j&#225; convivem com a lavoura e voltam a reproduzir normalmente. Vendemos soja, caf&#233;, gado. Com a crise l&#225; de fora, os pa&#237;ses ricos talvez deixem de comprar nossos produtos. Mas temos muitos brasileiros a alimentar. Com maior oferta de alimento, a comida vai ficar mais barata e vamos consumir mais. Com mais consumo, teremos mais trabalho e, com trabalho, mais dinheiro para comprar roupas, casas, m&#243;veis, autom&#243;veis que v&#227;o fazer crescer nossa ind&#250;stria, que vai gerar novos empregos, que v&#227;o... Jogo o jornal no lixo. Agora s&#243; vou ler o suplemento agr&#237;cola, que tem not&#237;cia boa. Tchau, baixo astral! Cr&#244;nica publicada na Coop Revista - Fevereiro / 2009</description>
			<link>http://luciasauer.blog.terra.com.br/oba</link>
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			<title>Novos problemas, velhos rem&#233;dios</title>
			<description>Novos problemas, velhos rem&#233;dios 
Lucia Sauerbronn N&#227;o anda nada f&#225;cil manter o bom humor. Mas a vida continua e a gente n&#227;o deve se deixar abater, apenas aguardar os acontecimentos. Todo mundo sabe que o melhor forma de combater energia negativa &#233; ter atitudes positivas, que contagiam o ambiente e melhoram o astral. At&#233; porque bom humor faz bem para a sa&#250;de. Do corpo, do cora&#231;&#227;o e da alma. A medicina, que se desenvolveu muito nas &#250;ltimas d&#233;cadas, descobriu a cura para quase todos os males. Mas ainda n&#227;o inventou uma p&#237;lula do bom humor. J&#225; pensou? No dia em que a gente acordasse com cara de poucos amigos, bastaria tomar uma dose para sair dando pulinhos de alegria. Antigamente, quando havia rem&#233;dio para pouca coisa e ir ao m&#233;dico era um luxo, o jeito era apelar para a sabedoria popular. Toda av&#243; sabia uma receita infal&#237;vel para resolver qualquer problema. Lumbago, espinhela ca&#237;da, sapinho, bicho do p&#233;, falta de dinheiro e at&#233; dor de cotovelo se curava com simpatia. Ningu&#233;m nunca compreendeu como as simpatias funcionam, mas que d&#227;o certo, ah!, isso d&#227;o. Por isso, enquanto a ci&#234;ncia n&#227;o inventa a f&#243;rmula da p&#237;lula da felicidade, resolvi fazer uma pesquisa sobre o assunto. Descobri que n&#227;o existe simpatia que devolva o bom humor. Mas achei algumas que servem perfeitamente para dar fim &#224;queles pequenos inconvenientes que acabam com a paci&#234;ncia de qualquer crist&#227;o. Ou mu&#231;ulmano. Se, por exemplo, o notici&#225;rio da TV fez voc&#234; perder a fome, mastigue umas folhas de salsa. Ou, ao contr&#225;rio, o assunto lhe deu azia e m&#225; digest&#227;o, cheire um pouco de vinagre e tome ch&#225; de losna. Perdeu a voz de tanto de torcer pelo gol &#8211; que n&#227;o saiu &#8211; nas eliminat&#243;rias da Copa? Coma cenouras cozidas no mel. Anda com medo de afundar no mar de lama? Pois saiba que esfregar cinza quente nas costas protege contra afogamentos. Caso tenha resolvido afogar as m&#225;goas num copo de bebida, a solu&#231;&#227;o &#233; outra: ressaca se cura pingando no ouvido gotinhas de lim&#227;o. N&#227;o h&#225; nada que estrague tanto o humor quanto passar a noite em claro. Se voc&#234; n&#227;o conseguir dormir de preocupa&#231;&#227;o, nada de ficar rolando na cama. Ponha um saquinho com farinha de trigo dentro do travesseiro e, para garantir um sono de beb&#234;, bata antes meio chuchu cru com &#225;gua e a&#231;&#250;car e tome tudo de uma vez. Conseguiu dormir, mas teve pesadelos? Mantenha uma tesoura aberta debaixo do colch&#227;o. Em tempo: se o que est&#225; atrapalhando seu sono &#233; o ronco do parceiro, n&#227;o precisa se irritar com o coitado. Chame S&#227;o Roque que o barulho p&#225;ra na hora. Agora, se a ins&#244;nia &#233; causada por problemas financeiros, dinheiro n&#227;o vai faltar se voc&#234; colocar moedas debaixo de uma estatueta de Buda, ou guard&#225;-las dentro da caixa de alfinetes. Arrume tamb&#233;m um vaso de uma planta chamada dinheiro-em-penca e cuide dele com muito carinho. Depois n&#227;o diga que n&#227;o avisei. Quando o dinheiro come&#231;ar a entrar, pode atrair mau-olhado. Nesse caso, apele de novo para o poder das plantas: tenha em casa trevo de quatro folhas, arruda e comigo-ningu&#233;m-pode, que d&#227;o sorte e cortam quebranto. Se um deles minguar, aten&#231;&#227;o: &#233; caso de olho gordo. Passe a andar com tr&#234;s dentes de alho no bolso. A&#237; o benef&#237;cio &#233; duplo, todo mundo sabe que alho espanta vampiro. Medo de ser assaltado? Ofere&#231;a tr&#234;s moedas aos gnomos e esconda debaixo de um m&#243;vel na entrada da casa ou sob o tapete do carro. Aproveite para fortalecer seu anjo da guarda, acendendo uma velinha para ele sempre que puder. At&#233; os males do cora&#231;&#227;o t&#234;m rem&#233;dio com simpatia. Quem acredita em Santo Antonio que o diga. Para arrumar namorado, escreva numa fita azul o nome da pessoa e conte sete estrelas no c&#233;u &#8211; sem apontar, sen&#227;o d&#225; verruga. Depois coloque a fita nos p&#233;s da imagem do santo e fa&#231;a seu pedido. Santo Antonio sofre, mas tamb&#233;m adora dar uma m&#227;ozinha em reconcilia&#231;&#245;es: amarre sete fitas coloridas na sua est&#225;tua e vire-a de cabe&#231;a para baixo. E n&#227;o desvire antes que voc&#234;s dois sejam confundidos com um casal de pombinhos. Voc&#234; pode achar que tudo isso &#233; uma montanha de asneiras. Mas n&#227;o custa nada tentar. Se n&#227;o fizer bem, mal n&#227;o faz. Como diria minha av&#243; espanhola, &#8220;yo no creo en brujas pero que las hay las hay&#8221;. Por outro lado, &#233; bom lembrar que as simpatias s&#227;o uma tradi&#231;&#227;o brasileira, fazem parte do folclore de um Pa&#237;s que respeita todas as religi&#245;es e credos. Exatamente a toler&#226;ncia que falta para que povos t&#227;o diferentes como afeg&#227;os ou irlandeses conquistem a paz. O que me faz pensar que talvez n&#227;o haja mesmo rem&#233;dio nem simpatia que cure mau humor. Basta ser simp&#225;tico. 
Cr&#244;nica publicada na Coop Revista - Novembro / 2.008</description>
			<link>http://luciasauer.blog.terra.com.br/novos_problemas_velhos_remedios</link>
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			<title>Dieta radical</title>
			<description>Dieta radical Lucia Sauerbronn Alerta vermelho! O ponteiro da minha balan&#231;a subiu quatro pontos! As roupas n&#227;o fecham! E em pleno ver&#227;o! Dieta j&#225;! Para perder quilinhos extras, o dr. Atkins recomenda tirar p&#227;es, arroz, massas e at&#233; frutas. Devo comer s&#243; prote&#237;nas: carne vermelha, ovos e queijos &#224; vontade. &#212;ba! J&#225; na segunda, troco o caf&#233; manh&#227; por ling&#252;i&#231;a frita. No almo&#231;o, caio de boca numa picanha. &#192; noite, engulo cheeseburguer com maionese. Ter&#231;a, espanto o sono com ovos e bacon. Quarta, feijoada. Quinta, rabada. Na sexta, pernil. Confiro a balan&#231;a: perdi dois quilos. E tamb&#233;m o sono. O est&#244;mago pesa, a noite n&#227;o passa. Pesadelos me assaltam. Estou deitada numa po&#231;a de sangue de vacas e porcos retalhados. Passo a semana seguinte &#224; base de alface e abobrinha. Engordo tr&#234;s quilos. Experimento a dieta de Beverly Hills. Que mal h&#225; em comer um s&#243; tipo de fruta por dia? Frutas fazem bem, t&#234;m vitaminas, sais minerais. Segunda, abacaxi; ter&#231;a, mel&#227;o; quarta, papaya; quinta, melancia. Na sexta, passo direto pela quitanda e entro na pizzaria. Compro um kit de emagrecimento. Devo trocar as refei&#231;&#245;es por shakes. Pare&#231;o crian&#231;a em sorveteria. Experimento chocolate, baunilha, morango. Cinco dias depois, jogo o kit pela janela. Com liq&#252;idificador e tudo. Pela dieta dos pontos, posso comer qualquer coisa. Desde que em parcas por&#231;&#245;es. Preciso anotar o que ponho na boca e conferir numa tabela o n&#250;mero de pontos de cada alimento. S&#227;o 300 pontos di&#225;rios, ou 1.080 calorias. D&#225; um trabalho danado. Para simplificar, escolho os mais cal&#243;ricos: big mac e um prato de brigadeiro. &#192;s cinco da tarde, morro de fome, mas resisto. Acordo de madrugada e assalto a geladeira. Todo ver&#227;o surge uma dieta nova. O autor vira celebridade. D&#225; entrevistas na TV. O livro vira best-selles, sai em DVD. Todos querem aprender como perder peso sem fazer for&#231;a. Meses depois, a dieta revolucion&#225;ria cai em desgra&#231;a. Ningu&#233;m consegue se manter magro. Resolvo fazer meu pr&#243;prio regime. Margarina tem gordura trans, e engorda tanto quanto manteiga. Substituo a&#231;&#250;car por ado&#231;ante, que n&#227;o tem calorias. Em compensa&#231;&#227;o, contem sal que ret&#233;m l&#237;quido, aumenta a press&#227;o arterial e d&#225; pedra nos rins. Produtos diet s&#227;o a del&#237;cia dos diab&#233;ticos. Mas para ter boa textura, tortas, cremes e chocolates recebem dose extra de gordura que, como a pr&#243;pria palavra sugere, engorda. Adoto a culin&#225;ria oriental. Fora lutador de sum&#244;, nunca vi japon&#234;s obeso. Al&#233;m do mais, sushi tem &#244;mega 3. Faz bem ao cora&#231;&#227;o. N&#227;o estou acostumada a engolir peixe cru. Para disfar&#231;ar o sabor, capricho no shoyo, salgado como &#225;gua do mar. Os japoneses n&#227;o sofrem de doen&#231;as card&#237;acas. Por outro lado, s&#227;o campe&#245;es em derrame cerebral. Opto por alimentos light. P&#227;es, biscoitos, bolos e at&#233; pizzas com 0% de gordura. S&#243; que tudo isso &#233; carboidrato. Normal ou diet, t&#234;m o mesmo valor energ&#233;tico. Troco o queijo branco por ricota. A diferen&#231;a quase n&#227;o pesa na balan&#231;a. J&#225; o sabor, nem se compara. Procuro me conformar. Com computador, controle remoto, celular e carro para ir at&#233; a padaria, cada dia me movimento menos. &#201; natural que acumule mais calorias do que consigo gastar. Danem-se os regimes. Resolvo retomar velhos h&#225;bitos alimentares. Tomo um bom desjejum: caf&#233; com leite, p&#227;o, manteiga, queijo prato. &#192;s 10hs, belisco castanhas. Almo&#231;o arroz, feij&#227;o, bife e salada de tomate com azeite. Sobremesa, banana com canela. Lancho uma barrinha de chocolate. Janto omelete, verduras e legumes. Arremato com uma ta&#231;a de vinho tinto, que ningu&#233;m &#233; de ferro. Antes de dormir, preparo um mingauzinho de aveia. Faz tr&#234;s semanas que me livrei das dietas. Pare&#231;o outra, me sinto feliz. Durmo como um anjo. Minha pele melhorou. O colesterol e a press&#227;o ca&#237;ram. O ponteiro da balan&#231;a tamb&#233;m! Devo estar doente. Perdi peso comendo! Consulto o m&#233;dico amigo da fam&#237;lia. Ele explica que comer de tudo um pouco &#233; o caminho mais seguro para emagrecer e se manter saud&#225;vel. Caf&#233; melhora o aprendizado, o reflexo, a concentra&#231;&#227;o e a mem&#243;ria. Leite e derivados s&#227;o saud&#225;veis e previnem osteoporose. Feij&#227;o e arroz formam uma dobradinha perfeita. Seus amino&#225;cidos se completam: o que falta num, tem no outro. Carne vermelha evita anemia. Azeite e tomate ajudam a desentupir as art&#233;rias. Frutas, legumes e verduras e frutas secas cont&#234;m vitaminas, sais minerais. Combatem os radicais livres. Chocolate estimula a serotonina, horm&#244;nio do bem estar. Aveia &#233; rica em fibras, que ajudam o organismo a funcionar melhor. J&#225; a lista de benef&#237;cios do vinho &#233; enorme: aumenta a longevidade, &#233; um antibi&#243;tico natural, anti-depressivo e rejuvenesce. Voltei a ter prazer em comer e sinto menos fome. Durmo melhor (oito horas de sono por dia emagrecem) e acordo t&#227;o disposta que levo o cachorro para dar uma volta no quarteir&#227;o. No pr&#243;ximo ver&#227;o, preparem-se: vou lan&#231;ar a dieta da mam&#227;e. Cr&#244;nica publicada na Coop Revista - Janeiro / 2.007</description>
			<link>http://luciasauer.blog.terra.com.br/dieta_radical</link>
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			<title>Os meninos crescem*</title>
			<description>Os meninos crescem* Lucia Sauerbronn Nem sei como tive coragem de levar para casa aquele embrulhinho de dois quilos, pele muito branca e a cabe&#231;a coberta por uma penugem ruiva. Na mesma noite, assustei com seu choro e tropecei no mois&#233;s que estava no ch&#227;o, ao lado da cama. Ele rolou e ganhou uma marquinha roxa na bochecha. Ansiosa, n&#227;o consegui amament&#225;-lo: na primeira semana, comprei uma mamadeira. Quando teve dor de ouvido, queimei sua orelha com &#243;leo quente. Estabanada, deixei ele cair do carrinho algumas vezes. Como m&#227;e, eu tinha tudo para dar errado. Apesar de mim, ele sobreviveu. Foi um menino danado. Mas, fora o anjo da guarda, n&#227;o deu trabalho para quase ningu&#233;m. Exceto os bombeiros, chamados &#224;s pressas quando ele e o irm&#227;o puseram fogo na casa. Com o irm&#227;o, por sinal, fez uma parceria engra&#231;ada. Os dois, t&#227;o diferentes em personalidade e interesses, cresceram brigando, reclamando um do outro e se protegendo, como amigos de verdade. Moravam no s&#243;t&#227;o entre gibis, brinquedos e muita coisa espalhada pelo ch&#227;o, territ&#243;rio em que adulto s&#243; pisava como visita. Determinado, quando entrava num jogo era para ganhar. O que nem sempre acontecia, como aquela vez em que apanhou no jud&#244; de uma menina maior do que ele. Aos oito anos resolveu ser independente. Fabricou bijuterias e armou uma barraquinha em frente de casa, no dia da feira. A av&#243; acabou comprando tudo, e ele guardou o dinheiro no cofrinho. Montou uma bicicleta pe&#231;a por pe&#231;a. Fez seu pr&#243;prio skate com a ajuda do av&#244;. Sem pedir nada em troca, em dia de elei&#231;&#227;o escolhia um candidato e sa&#237;a distribuindo santinho. Depois acompanhava a apura&#231;&#227;o, para conferir o resultado. Tinha medo do escuro, e &#224;s vezes acordava de um pesadelo banhado de suor. Apesar disso, aos 17 anos enfrentou um ano inteiro de interc&#226;mbio, morando com fam&#237;lias desconhecidas fora do pa&#237;s. Mais tarde, foi estudar ingl&#234;s por conta pr&#243;pria. Arrumou emprego de gar&#231;om num hotel em que a chefia americana n&#227;o se dava com os funcion&#225;rios mexicanos. Falando as duas l&#237;nguas, construiu uma ponte entre eles. Ganhou pr&#234;mio como empregado do ano, mas chegou a morar no bairro barra pesada do Bronx, at&#233; que as torres g&#234;meas ca&#237;ram. Tive de apelar &#224; velha chantagem emocional de m&#227;e para obrig&#225;-lo a voltar para casa. Chegou ao Brasil em meio &#224; crise de 11 de setembro e n&#227;o conseguia emprego. Publicit&#225;rio, encontrou um jeito criativo de fazer propaganda de si mesmo: mandou imprimir um curr&#237;culo do seu tamanho e, vestido de homem-curr&#237;culo, circulou pela avenida Paulista. Veio at&#233; televis&#227;o. Mas nem tudo foram flores. N&#227;o foi aluno dos mais brilhantes; acordava de mau humor para ir para a escola e passava de ano raspando. Nervosinho, um dia saiu de casa depois de brigarmos feio. Enquanto eu passava a noite falando com a pol&#237;cia, ele dormia sossegado na casa da av&#243;, proibida de me avisar... Com o pai tamb&#233;m batia de frente, testando for&#231;as para se impor como adulto. Mas a cara feia durava pouco. Logo estavam torcendo juntos no futebol ou na f&#243;rmula 1. O sem-vergonha aprontou das suas. Bateu carro, tomou porre, foi baladeiro, namorador. At&#233; o dia em que reencontrou a velha paix&#227;o da escola e pediu a mo&#231;a em casamento, com direito a igreja, padre, vestido de noiva. Passei semanas escolhendo belas m&#250;sicas cl&#225;ssicas para cada momento da cerim&#244;nia. Para minha surpresa, entrei na igreja de bra&#231;o dado com meu filho ao som de Miss&#227;o Imposs&#237;vel. Assim como os convidados, n&#227;o pude segurar o riso. Apesar da pose e da seriedade do momento, aquele homem de terno escuro continuaria a ser eternamente meu menino arteiro e criativo. Recebeu a noiva no altar, trocaram alian&#231;as, juraram amor eterno, prometeram fidelidade. Estavam felizes. Quando o vi deixar a igreja levando pela m&#227;o a mulher que escolheu para dividir o futuro, fiquei orgulhosa, mas preocupada: se fui uma m&#227;e atrapalhada, como &#233; que iria me comportar como sogra? Minha nora &#233; esquecida, agitada, avoada, desastrada e faz dez coisas ao mesmo tempo. Dizem que os homens procuram uma esposa parecida com a m&#227;e. Sosseguei: acho que vamos nos dar bem. * Os meninos crescem, t&#237;tulo emprestado do livro do escritor Domingos Pellegrini. 
Cr&#244;nica publicada na Coop Revista - Outubro / 08</description>
			<link>http://luciasauer.blog.terra.com.br/os_meninos_crescem</link>
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			<title>Mem&#243;ria virtual</title>
			<description>Mem&#243;ria virtual Lucia Sauerbronn Reviro a bolsa procurando os &#243;culos que est&#227;o pendurados no pesco&#231;o. Esque&#231;o as chaves no escrit&#243;rio e n&#227;o consigo entrar em casa. Guarda-chuva nem uso mais. Deixo recados para mim mesma e n&#227;o lembro de ler. Conversar virou pesadelo. Fico escaneando a mem&#243;ria atr&#225;s de uma palavra qualquer, mas ela se esconde na confus&#227;o dos meus neur&#244;nios. Embatuco no meio da frase e a&#237; acontece o pior: n&#227;o sei mais o que ia dizer. Gosto de comer gergelim. Para lembrar o nome do cereal, preciso cantar a m&#250;sica do biguimec at&#233; o fim. A falta de mem&#243;ria me faz passar por situa&#231;&#245;es delicadas. Cansei de ir em festa no dia errado, confundir filha com m&#227;e, chamar a atual pelo nome da ex-mulher, perguntar pela sa&#250;de de quem acompanhei o enterro, dizer muito prazer a quem j&#225; fui apresentada. Vivo no mundo da lua e cometo v&#225;rias atrocidades. Umas dif&#237;ceis de explicar, outras que d&#227;o vergonha confessar. Chego a trombar com um grande conhecido e n&#227;o dizer nem ol&#225;. Pode ser que, em outra oportunidade, fa&#231;a a maior festa quando encontrar. Muita gente deve me achar esquisita. Vivo angustiada. Para n&#227;o ser acusada de louca ou mal-educada, espalho por a&#237; que sofro de miopia. S&#243; n&#227;o explico que &#233; miopia mental. Minha cabe&#231;a nunca est&#225; no foco certo. Aprendi a driblar situa&#231;&#245;es saia-justa com frases gen&#233;ricas. Chamo a pessoa de querida. Pergunto se est&#225; tudo em bem casa. Para estender a conversa ainda arrisco: E l&#225; (no trabalho? na escola?) alguma novidade? Assim vou captando pistas para descobrir com quem estou falando. Nem sempre d&#225; resultado. Essa esp&#233;cie de amn&#233;sia me perseguiu por toda a vida adulta. Em compensa&#231;&#227;o, tenho mem&#243;ria de elefante para coisas sem a menor utilidade pr&#225;tica. Sei de cor as letras inteiras dos an&#250;ncios da Varig nos anos 60 e posso dizer de cabe&#231;a o n&#250;mero do telefone das minhas amigas de escola. Da &#233;poca em que estava na escola. Basta ouvir uma melodia ou reconhecer a estampa de um vestido que cenas inteiras me voltam &#224; mem&#243;ria como se estivessem acontecendo naquele instante. Recito de cor poesias que aprendi na inf&#226;ncia porque achei bonitas. N&#227;o &#233; de se estranhar. A express&#227;o saber de cor vem do latim cuore, que quer dizer cora&#231;&#227;o. E o que passa pelo cora&#231;&#227;o a gente nunca esquece. Como as m&#250;sicas que a Elis cantava. Antes que algu&#233;m insinue que estou ficando velha, acho bom deixar o preconceito de lado. A mem&#243;ria dos jovens n&#227;o &#233; melhor, apenas tem mais espa&#231;o livre. Eu, por exemplo, desperdicei a minha com bobagens que nunca mais vou usar. Para que &#233; que vou morrer sabendo os afluentes do rio Amazonas? Ando mais esperta. Recebo tanta informa&#231;&#227;o, que procuro selecionar o que importa e deletar o que n&#227;o interessa. S&#243; que saber onde deixei as chaves de casa continua a ser de fundamental import&#226;ncia. Para dizer a verdade, a situa&#231;&#227;o est&#225; ficando dif&#237;cil. O m&#233;dico receitou umas p&#237;lulas para ativar a mem&#243;ria. Acho que fariam bem, se lembrasse de tom&#225;-las. Recorri a alguns truques para treinar minha capacidade de reter fatos recentes. Comprei uns livretos de palavras cruzadas. Sei que 15 quilos correspondem a uma arroba. O primeiro nome de Einstein &#233; Albert. J&#225; a atriz do filme Proposta Indecente &#233; aquela morena bonita, que foi casada com o ator que tem um sorrisinho maroto... Ela fez outro filme legal: o marido morre assassinado e volta do al&#233;m para salv&#225;-la, tinha uma m&#250;sica bacana... O sobrenome dela &#233; o mesmo do cigarro que aquele careca, que fazia um seriado policial nos anos 70, fumava... Desisto. Depois de anos de uso, meu fiel computador andava meio lerdo. Chamei o t&#233;cnico. Ele fez uma faxina no hard disk e eliminou os arquivos in&#250;teis. Deu um up grade na mem&#243;ria e instalou um sistema de busca. Est&#225; funcionando que &#233; uma beleza. Para testar, abro o site e escrevo &#8220;nome da atriz do filme Proposta Indecente&#8221;. O resultado aparece em menos de um segundo: Demi Moore. &#201; claro que eu sabia! A informa&#231;&#227;o s&#243; estava perdida no buraco negro da minha mente. Fiquei animada. Do jeito que a medicina anda avan&#231;ando, quem sabe os m&#233;dicos consigam fazer o mesmo com o meu c&#233;rebro... Cr&#244;nica publicada na Coop Revista - Fevereiro / 2.007</description>
			<link>http://luciasauer.blog.terra.com.br/memoria_virtual</link>
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